História
Sobre São Tomé e Príncipe
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Emergindo das profundezas do mar devido à actividade vulcânica consequente da divergência das placas tectónicas africana e americana, as ilhas de São Tomé e Príncipe, tal como as vizinhas de Ano Bom e Fernão Pó, devem a sua formação como prolongamento da cordilheira continental dos Camarões, formando assim um alinhamento de mais de 2.000 km de extensão que parte dos vulcões dos Camarões e se alonga pelo mar.

Este conjunto de ilhas foi designado, por muito tempo, como arquipélago da Guiné, precisamente por se alojar no golfo homónimo. Certo é que, durante séculos, as ilhas estiveram de-sabitadas, apesar de a actividade vulcânica se ter extinguido. Os primeiros europeus a arribarem àquelas paragens foram navegadores portugueses, apesar de subsistirem dúvidas sobre quem teriam sido os primeiros a pisar terra. Contudo, o descobrimento das ilhas é atribuído a João de Santarém e Pêro Escobar, que foram incumbidos de continuar a exploração da costa ocidental de África em 1470, durante o reinado de D. Afonso V, admitindo-se que teriam atracado na costa norte de São Tomé a 21 de Dezembro e tocado na ilha de Santo Antão, mais tarde rebaptizada de Príncipe, quase um mês depois. Crê-se que as ilhas eram então desabitadas, pelo que os primeiros colonos foram portugueses vindos da metrópole e que adquiriram incentivos e regalias para ocuparem tão distante paragem. Depois dos colonos, foi a vez de chegarem os escravos, sobretudo vindos de Angola, Moçambique e Cabo Verde, a fim de serem utilizados nas potencialidades de exploração que as ilhas poderiam oferecer.


Naturalmente, duas ou três gerações depois, resultou uma miscigenação racial que originou os “forros” e os crioulos – ou seja, os descendentes do cruzamento de sangue português com africano e que rapidamente passou a deter o controlo económico da exploração do território. Contudo, com a crescente importância que o Brasil ia assumindo, a produção de açúcar derivou para a colónia sul-americana, pelo que São Tomé passou por uma fase de despovoamento e de perda de motivação. No entanto, o caso começou lentamente a mudar de figura em pleno século XIX, com o início do cultivo do cacau e do café, que redundou num tremendo êxito, ao ponto de São Tomé e Príncipe se ter tornado o maior exportador de cacau do mundo. Em apenas treze anos, por alturas da viragem do século, a produção subiu de 14 mil para 36 mil toneladas. Foi a época do apogeu, em que muitas famílias portuguesas se instalaram nos trópicos e edificaram as grandes roças que ainda hoje são a imagem de marca do arquipélago. Em termos administrativos, no entanto, São Tomé nunca assumiu a mesma importância para a coroa portuguesa que as outras colónias detinham. Na metrópole, São Tomé parecia muito distante e desconhecido, do qual só se tinham notícias quando o respectivo governador dava novas ou se deslocava a Lisboa. Apesar deste aparente estado de calma, o certo é que as tensões sociais iam crescendo, porque os trabalhadores africanos empregues nas roças, mesmo não sendo considerados escravos, eram-no na realidade. Lentamente, a revolta foi tomando conta dos crioulos, mas, mesmo sendo mais ou menos facilmente abafadas, o certo é que acabaram por contribuir para a formação de um sentimento nacionalista e independentista. A partir da década de sessenta do século passado, tudo se tornou mais convicto com a criação do CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe) e, em 1974, do MLSTP (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe). A revolução de 25 de Abril de 1974 só precipitou os acontecimentos, que levou à saída em massa dos colonos portugueses e o consequente pedido de independência. Um ano depois, a 12 de Julho de 1975, o mapa político do mundo passou a incluir uma nova nação – a República Democrática de São Tomé e Príncipe. Pós-independência, é o MLSTP que toma o poder, designando Ma-nuel Pinto da Costa como primeiro presidente da república. Sucede-lhe Miguel Trovoada em 1991, que é reeleito cinco anos depois, e depois Fradique de Meneses, que toma conta dos destinos da nação deste 2001. Nas eleições de 2011 foi eleito Manuel Pinto da Costa que volta à presidência depois de 20 anos.

Fonte: www.guiastp.st

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